Suspeito de matar trancista em MG vendeu moto da vítima para conseguir dinheiro da fuga
25/02/2026
(Foto: Reprodução) Trancista é encontrada morta em Araguari; suspeito atraiu vítima com pretexto da bolsa perdida
Além de fugir com a moto de Luana Carolina de Paulo Melo, de 27 anos, após matá-la em Araguari, no Triângulo Mineiro, o suspeito de 38 anos vendeu o veículo para conseguir dinheiro para a fuga. O crime ocorreu na noite de domingo (22) e o homem foi preso em Goiânia (GO) na terça-feira (24).
De acordo com a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, a investigação apontou que o suspeito vendeu o veículo para uma pessoa, que não teve a identidade informada. A moto encontrada com ela, que reconheceu o homem como responsável pela venda.
No entanto, quando os investigadores da Polícia Civil encontraram o veículo, ele já estava desmanchado. As peças encontradas foram apreendidas.
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Partes da moto da trancista morta em Araguari encontradas pela polícia.
Polícia Civil/Divulgação
Preso em Goiânia
O suspeito de matar a trancista foi localizado em Goiânia após troca de informações com as equipes de Goiás. De acordo com a PM, durante a prisão o homem confessou o crime e disse que estrangulou Luana durante uma discussão que eles tiveram enquanto consumiam drogas.
A versão do suspeito será investigada e, segundo a PM, há indícios de que vítima e o homem tiveram uma relação amorosa ou de amizade anteriormente.
Luana foi assassinada no bairro Brasília, na noite de domingo (22), em um crime tratado pela PM como feminicídio. Segundo os militares, ele teria atraído a jovem para a casa dele afirmando ter achado uma bolsa que ela havia perdido.
Horas depois, o corpo foi encontrado com sinais de estrangulamento e violência sexual.
Quem era a trancista
A morte de Luana Carolina de Paulo Melo, de 27 anos, causou grande comoção entre familiares e amigos em Araguari. Mãe solo de uma menina de 5 anos e conhecida pelo trabalho como trancista, ela é lembrada como uma mulher intensa, carinhosa e capaz de transformar o ambiente por onde passava.
Os amigos de infância descrevem Luana como alguém extrovertida, carismática e muito amorosa. Johnatan Henrique da Silva Gil, de 27 anos, conheceu a jovem na escola e contou que a amizade se fortaleceu anos depois, quando os dois participaram de um grupo de teatro.
Ele lembra que a amiga tinha um jeito acolhedor e fazia com que todos à sua volta se sentissem notados.
"Era daquelas pessoas que chegavam mudando o clima do lugar, com um sorriso fácil e um jeito de cuidar de todo mundo", contou.
Mãe que sonhava alto por ela e pela filha
Ser mãe era o maior orgulho de Luana. Segundo os amigos, ela criava a filha sozinha, era muito dedicada e fazia questão de aproveitar todo tempo livre com a menina.
"Ela gostava de ficar com a filha de levá-la pra fazer passeios em parques e restaurantes. Gostava muito também de ir na casa da avó que mora bem próximo à casa dela e ficar conversando. Disse que aprendia muita coisa sobre a vida com a vó. Aos domingos, almoçava com a mãe e família", disse Johnatan.
A atriz e professora de teatro Daniela Jaine Carvalho da Silva, 26 anos, cresceu ao lado de Luana e acompanhou de perto os planos que a amiga fazia para a vida, que sempre incluíam a filha. Para ela, mesmo nos momentos mais difíceis, Luana nunca deixava de projetar um futuro melhor, guiada pelo desejo de oferecer à menina oportunidades que ela mesma não teve.
"A Luana sempre falava do futuro principalmente em relação à filha, de poder conseguir dar do bom e do melhor pra ela, conseguir criar ela de uma maneira muito bem e de viver bem. Era sempre esses planos que ela tinha, de poder estar feliz, de poder viver o que ela gostava de viver, mas sempre pensando na filha também".
Amiga para toda hora
A personal trainer Mariana de Souza Rodovalho, 26 anos, também amiga de infância, relembrou as dificuldades enfrentadas pela trancista ao longo da vida.
Mariana Rodovalho ao lado da amiga Luana - feminicídio Araguari
Arquivo pessoal
A jovem perdeu o pai quando ainda era muito nova e quase perdeu o irmão em um acidente de trânsito. Mesmo assim, seguia firme, sorridente e buscando seu espaço.
Houve uma fase em que Luana viajou pelo país vendendo artesanato e fazia da sua vontade e intensidade de viver sua força para enfrentar as dificuldades. E, mesmo diante dos desafios, nunca deixou de estar presente para os amigos.
"A Luana era intensa. Ela vivia a vida com força, vivia no presente mesmo. Ela era exatamente como a lua, tinha suas fases, mas em cada fase ela sabia viver como quem quisesse viver mesmo aquele momento. E ela me ajudou a não ter medo da vida quando eu passei por um momento muito difícil na adolescência. Eu ia à casa dela à tarde para comer pipoca e conversar”, relembrou Mariana.
Daniela também comentou o quanto a amiga era solícita com todos os amigos.
"Era uma pessoa que quando você precisasse dela, ela estaria ali, à disposição. A gente sabia que a gente sempre poderia contar com ela. Sempre", finalizou.
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Suspeito conhecia a vítima
A trancista foi encontrada morta dentro da casa de um conhecido, na rua Corumbá, em Araguari.
Segundo a PM, o homem, de 38 anos, teria atraído Luana ao local com o pretexto de ter encontrado uma bolsa que ela supostamente havia perdido. Depois disso, ela parou de responder mensagens e ligações dos familiares.
Horas mais tarde, o corpo foi localizado por um parente do suspeito. O nome dele não foi divulgado pela polícia.
Luana estava parcialmente despida, com um fio enrolado no pescoço. Também havia sinais de violência sexual.
Ainda de acordo com a polícia, o suspeito fugiu levando o celular e a motocicleta da vítima. Ele morava na casa onde o corpo foi encontrado e, segundo familiares, mantinha um “vínculo indireto com a vítima” e apresentava comportamento obsessivo em relação à Luana.
Uma das amigas contou ao g1 que Luana nunca havia comentado nada suspeito sobre o homem, mas que sabia que ele era pai de uma prima da vítima.
Luana Carolina de Melo, vítima de feminicídio em Araguari, deixa uma filha pequena
Redes sociais/Reprodução
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